Ficha técnica
Título Original: 9.
Origem: Estados Unidos, 2009.
Direção: Shane Acker.
Roteiro: Pamela Pettler, baseado em história de Shane Acker.
Produção: Timur Bekmambetov, Tim Burton, Dana Ginsburg, Jinko Gotoh e Jim Lemley.
Fotografia: -.
Edição: Nick Kenway.
Música: Deborah Lurie.
Sinopse
Quando o boneco 9 ganha vida, ele se encontra num mundo pós-apocalíptico em que os humanos foram dizimados. Por acaso, encontra uma pequena comunidade de outros como ele, que estão escondidos das terríveis máquinas que vagam pela Terra com a intenção de exterminá-los. Apesar de ser o novato do grupo, 9 convence os demais que ficar escondido não os levará a nada. Eles devem tomar a ofensiva se quiserem sobreviver e antes disso, precisam descobrir por que as máquinas querem destruí-los.
Elenco
Elijah Wood, John C. Reilly, Jennifer Connelly, Crispin Glover, Martin Landau, Christopher Plummer, Fred Tatasciore e Helen Wilson.
Confira o trailer de 9 – A Salvação
Informações do DVD
Estúdio: Playarte
Tempo: 80
Cor: Colorido
Recomendação: livre
Região do DVD: Região 4
Legendas: Inglês, Português
Idiomas / Sistema de som:
Inglês – Dolby Digital 2.0
Português – Dolby Digital 2.0
Formato de tela: Widescreen
Crítica
Entre todas as coisas que são apresentadas em 9 – A Salvação, não há como negar uma constatação: o aspecto visual é, disparado, o que mais chama a atenção. Quando associamos o nome de um dos produtores ao que vemos na tela fica bem mais fácil entender o porque. Tim Burton.
É bem verdade que este não é um filme de Tim Burton. Mas a proximidade dos aspectos góticos e caóticos tão presentes na obra do diretor de produções como A Noiva Cadáver e O Estranho Mundo de Jack dão a entender que o filme, além de produzido, poderia muito vem ser dirigido por ele. A direção aqui cabe ao estreante Shane Acker. O filme, na verdade, é uma adaptação direta de um curta-metragem dirigido por ele em 2005.
Em 9 – A Salvação experimentamos a catastrófica sensação de um mundo tomado pelas máquinas. O desenvolvimento tecnológico chegou a tal ponto que as máquinas viram nos humanos seres completamente dispensáveis. Ou melhor, quase dispensáveis uma vez que nos tornamos meras baterias para alimentar o funcionamento de milhares de robôs de diversos tipos. Em meio aos escombros do que restou do mundo nove bonecos lutam para sobreviver e derrotar um exército de máquinas.
A visão do fim e de um mundo sob o domínio de máquinas não é nada original. Porém, ainda assim, 9 – A Salvação prova que uma abordagem correta baseada em metáforas e em um questionamento de valores são mais que suficientes para revitalizar o tema. Dentre todos os bonecos, acompanhamos o ponto de vista de 9 (Elijah Wood), o mais novo de todos eles. Por meio das suas descobertas de mundo vamos tomando conhecimento da história.
Ousado e destemido, 9 busca de todas as formas lutar contra as máquinas e, também resgatar 2 (Martin Landau), o inventor. Se por um lado ele representa ideais que deveriam permear a juventude, por outro lado 1 (Christopher Plummer) representa os valores opostos. Ele é temeroso e conservador e se utiliza a sua experiência para viver de modo absoluto sobre os demais, uma espécie de rei em uma terra de súditos. Embora não seja esse o ponto de vista direto da trama, não é demais imaginar a dualidade entre 9 e 1 como um reflexo da dualidade americana entre republicanos e democratas.
Visto por uma ótica como essa não difícil entender palavras como “nós temos que salvá-lo” soando como uma espécie de “sim, nós podemos” diante de uma adversidade tão grande para bonecos tão pequenos. Assim como esta, muitas outras possibilidades de interpretação são válidas no conceito do filme e justamente pelo fato de não explicitá-las é que 9 – A Salvação constrói um rico desfile de metáforas intrigantes que agradam ao espectador.
Por mais que a temática já tenha sido abordada em dezenas de outras produções, a forma com que ela é contada faz com que 9 – A Salvação se mostre um filme divertido, reflexivo e inspirador e que vale a pena ser visto além do sei impacto maior proporcionado pelo visual pós-apocalíptico presente do começo ao fim da produção. Um filme para ser visto com a mente aberta e sem expectativas de mega produções, comédias ou entretenimento elitista. O que vale aqui é deixar-se guiar pelos valores que você acreditar. E a menos que você seja um robô, não tenha dúvidas que estará do lado certo.
