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Ficha técnica
Título Original: The Time Traveler’s Wife.
Origem: Estados Unidos, 2009.
Direção: Robert Schwentke.
Roteiro: Bruce Joel Rubin, baseado em livro de Audrey Niffnegger.
Produção: Dede Gardner e Nick Wechsler.
Fotografia: Florian Ballhaus.
Edição: Thom Noble.
Música: Mychael Danna.
Sinopse
Um bibliotecário de Chicago, portador do “gene da viagem no tempo”, visita a esposa em diferentes pontos da vida dela. As viagens são realizadas de maneira involuntária e irão trazer sérios problemas para o relacionamento de ambos.
Elenco
Michelle Nolden, Alex Ferris, Arliss Howard, Eric Bana, Katherine Trowell, Bart Bedford, Esther Jun, Matt Birman, Craig Snoyer, Rachel McAdams, Carly Street, Romyen Tangsubutra, Brooklynn Proulx, Jane McLean, Ron Livingston, Brian Bisson, Maggie Castle, Fiona Reid, Philip Craig, Mario Tufino, Shawn Storer, David Talbot, James Lafazanos, Dan Duran, Kenner Ames, Alison MacLeod, Stephen Tobolowsky, Hailey McCann, Donald Carrier, Jan Caruana, Jean Yoon, Tatum McCann, Duane Murray, Paul Francis, Jon Bruno, Kevin Drew, Brendan Canning, Andrew Whiteman, Justin Peroff, Michael Bell, Alexis Beckley, Gene Fojtik e Christina Orjalo.
Confira o trailer de Te Amarei Para Sempre
Informações do DVD
Estúdio: Playarte
Cor: Colorido
Recomendação: 12 anos
Região do DVD: Região 4
Legendas: Inglês, Português, Espanhol
Idiomas / Sistema de som:
Inglês – Dolby Digital 5.1
Português – Dolby Digital 5.1
Formato de tela: FullScreen
Crítica
Quando você ouve falar em ficção científica, qual é a primeira imagem que vem à sua cabeça? Certamente, entre as primeiras lembranças de muitos, poderíamos citar elementos como aeronaves, viagens no espaço, robôs ou objetos de altíssima tecnologia. Porém, o que dizer de um romance, um drama de amor, que utiliza os argumentos da ficção científica para explicar a sua história?
O que pode soar estranho à primeira vista acaba se tornando uma interessante premissa e, talvez, um dos pontos mais inteligentes do filme Te Amarei Para Sempre. Baseado no livro A Esposa do Viajante do Tempo, romance de estréia da escritora norte-americana Audrey Niffenegger, a produção é mais uma entre os inúmeros filmes do gênero que chegaram às telas em 2009, mostrando o quanto a sci-fi está em alta.
Te Amarei Para Sempre conta a curiosa história do bibliotecário Henry DeTamble (Eric Bana), um sujeito que desde cedo descobriu-se portador de um raro fenômeno: uma disfunção genética que o permite viajar no tempo – tanto passado como futuro – de forma involuntária e sem controle. Suas constantes viagens fazem com que ele se veja constantemente metido em confusões já que cada vez que se desloca para um novo espaço-tempo está nu e precisa sair à caça de roupas.
Assim como a vida de Henry, a história é, da mesma forma, apresentada de forma fragmentada. Embora a linha mestra do roteiro conduza a narrativa a partir do momento em que ele conhece a sua futura esposa Clare Abshire (Rachel McAdams), o desenvolvimento na história se dá em forma de flashbacks – nesse caso as viagens temporais dele – onde descobrimos que Henry já conhece e visita Claire desde que a garota tinha nove anos de idade.
Contada de maneira sutil e sem apelar para momentos melodramáticos ou para um melosa trilha sonora para “adocicar” os momentos do casal, com a história de Henry já apresentada e bem desenvolvida aos olhos do espectador, o foco deixa de ser as suas viagens e passa a ser a situação de Claire, a fiel e compreensiva esposa que entende o drama do marido e procura conviver com ele da melhor maneira possível. Utilizando as palavras de Claire, a mudança de foco é claramente explicitada no roteiro quando ela afirma saber “qual é a sensação de quem fica, mas não qual é a sensação daquele que parte”.
Pelo fato de o espectador já conhecer a sensação de quem parte, somos conduzidos de maneira suave a acompanhar desta vez a sensação de quem fica. O deslocamento da narrativa é leve e, em momento algum, temos a impressão de ver dois filmes distintos. Como no forte relacionamento do casal, a unicidade é uma característica marcante nesta transição.
Essa suavidade na condução da história – que revela um bom trabalho do diretor Robert Schwentke (Plano de Vôo) – contudo a partir de certo momento acaba tendo um efeito contrário para o desenvolvimento do filme. Se por um lado temos a segurança de que o filme dificilmente irá se perder, por outro ficamos com a sensação de uma falta de ousadia, já que não há grandes reviravoltas ou revelações. Mesmo nos principais pontos de virada da história, os momentos de clímax são apresentados de forma amena, tendo pouco impacto no destino da história, mas sem comprometê-la.
Em uma das suas falas, Henry afirma que conduziu sua vida para “nunca ter nada que não pudesse suportar a dor da perda”. A atitude pouco corajosa dele nesse quesito parece se refletir na maneira como a história é apresentada – de maneira segura e burocrática, mas com poucas inovações e diferenciais, o que é uma pena já que este é o tema que levanta uma série de possibilidades.
Porém, se como ficção científica o filme não funciona de maneira satisfatória, em termos de romance ele apresenta os elementos que costumam conquistar as platéias de casais. Uma sólida história de amor, daquelas que estendem pela vida toda e que, qualquer pessoa certamente gostaria de vivenciar. Procurando equilíbrio a todo momento e indeciso em termos de público, Te Amarei Para Sempre acaba deixando a sensação de que algo mais poderia ser complementado à história, mas deixa a curiosa sensação de ter sido ao menos um entretenimento agradável e confortante. Embora seja um filme indeciso, é inegável que sua premissa é bastante criativa. E ainda que essa critividade seja um mérito do livro, e não do filme, não é todo dia que vemos novas abordagens em filmes românticos e só por isso a história já merece um crédito.
Nota 7
Ficha técnica
Título Original: Chéri.
Origem: Inglaterra / França / Alemanha, 2009.
Direção: Stephen Frears.
Roteiro: Christopher Hampton, baseado em livro de Colette.
Produção: Andras Hamori, Bill Kenwright, Thom Mount e Tracey Seaward.
Fotografia: Darius Khondji.
Edição: Lucia Zucchetti.
Música: Alexandre Desplat.
Sinopse
A história da relação amorosa entre a cortesã aposentada Léa e Chéri, filho de sua antiga companheira de profissão e rival, Madame Peloux.
Elenco
Michelle Pfeiffer, Frances Tomelty, Tom Burke, Rupert Friend, Hubert Tellegen, Joe Sheridan, Kathy Bates, Toby Kebbell, Felicity Jones, Iben Hjejle, Alain Churin, Bette Bourne, Nichola McAuliffe, Andras Hamori, Gaye Brown, Rollo Weeks, Natasha Cashman, Jack Walker, Anita Pallenberg, Harriet Walter, Jim Bywater, Stephen Frears e Junix Inocian.
Informações do DVD
Estúdio: Califórnia Filmes
Cor: Colorido
Recomendação: 14 anos
Região do DVD: Região 4
Legendas: Português
Idiomas / Sistema de som:
Inglês – Dolby Digital 2.0
Português – Dolby Digital 2.0
Formato de tela: Widescreen
Ficha técnica
Título Original: Everybody’s Fine.
Origem: Estados Unidos / Itália, 2009.
Direção: Kirk Jones.
Roteiro: Kirk Jones, baseado em roteiro de Massimo De Rita, Tonino Guerra e Giuseppe Tornatore.
Produção: Vittorio Cecchi Gori, Ted Field, Glynis Murray e Gianni Nunnari.
Fotografia: Henry Braham.
Edição: Andrew Mondshein.
Música: Dario Marianelli.
Sinopse
Viúvo que achava que a única ligação com o resto da família era por meio da esposa decide realizar uma viagem por todo o país a fim de reunir cada um de seus filhos.
Elenco
Robert De Niro, Drew Barrymore, Kate Beckinsale, Sam Rockwell, Lucian Maisel, Damian Young, James Frain, Melissa Leo, Katherine Moennig, Brendan Sexton III, James Murtaugh, Austin Lysy, Chandler Frantz, Lily Mo Sheen, Seamus Davey-Fitzpatrick, Mackenzie Milone, Kene Holliday,E.J. Carroll, Lou Carbonneau, Mandell Butler, Caroline Clay, Katy Grenfell, Lynn Cohen, Jayne Houdyshell, William J. Slinsky Jr., Kelly McAndrew, Jason Harris, Julián Rebolledo, Ben Liff, Harvey Liff, Lynn Blades, Kevin Collins, Patricia Phillips, Kevin Martin, Ben Schwartz, Debargo Sanyal, Scott Cohen, Jackie Cronin, Erika Boseski, Allie Woods Jr., Sonja Stuart, Mimi Lieber, Ethan Munsch, Harrison Munsch, Kira Visser, Mattie Hawkinson, Steve Antonucci, Robert Niebrzydowski, Ken Sladyk e Joel Vetsch.
Premiações
Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original.
Confira o trailer de Estão Todos Bem
Informações do DVD
Estúdio: Disney Video
Tempo: 99
Cor: Colorido
Recomendação: livre
Região do DVD: Região 4
Legendas: Inglês, Português, Espanhol
Idiomas / Sistema de som:
Inglês – Dolby Digital 5.1
Português – Dolby Digital 5.1
Formato de tela: Widescreen
Informações especiais: Extras:
- Por Trás das Câmeras de (I Want To) Come Home com Paul McCartney
- Cenas Inéditas e Estendidas
Ficha técnica
Título Original: Hachiko – A Dog’s Story.
Origem: Estados Unidos, 2009.
Direção: Lasse Hallstrom.
Roteiro: Stephen P. Lindsey baseado em filme de Kaneto Shindo.
Produção: Richard Gere, Bill Johnson e Vicki Shigekuni Wong.
Fotografia: Ron Fortunato.
Edição: Kristina Boden.
Música: Jan A. P. Kaczmarek.
Sinopse
Quando Hachiko, um filhote de cachorro da raça akita, é encontrado perdido em uma estação de trem por Parker, ambos se identificam rapidamente. O filhote acaba conquistando todos na casa de Parker, mas é com ele que acaba criando um profundo laço de lealdade.
Elenco
Richard Gere, Sarah Roemer, Joan Allen, Jason Alexander, Cary-Hiroyuki Tagawa, Erick Avari, Robert Capron, Davenia McFadden, Forest, Kevin DeCoste, Robbie Sublett, Bates Wilder, Tora Hallstrom, Gloria Crist, Denece Ryland, Adam Masnyk, Donald Warnock, Donna Sorbello, Vincent J. Earnshaw, Martin Montana, Gary Roscoe, Roy Souza, Michael Kelly, Ben Skinner, Morgan O’Brien, Oscar J. Castillo, Shane Farrell, Rich Tretheway, Ian Sherman, Kira Arnold, Luke Allard, Rob Degnan, Joanne Fanara, Frank S. Aronson, Thomas Tynell, Raymond Alongi, Ellen Becker-Gray, Gail Bugeja, Desiree April Connolly, Elizabeth Freeman, Albert Gornie, Patrick Mel Hayes, Edward L. Papazian, Americo Presciutti e Rich Skinner.
Confira o trailer de Sempre ao Seu Lado
Informações do DVD
Estúdio: Imagem Filmes
Tempo: 88
Cor: Colorido
Recomendação: livre
Região do DVD: Região 4
Legendas: Inglês, Português, Espanhol
Idiomas / Sistema de som:
Inglês – Dolby Digital 5.1
Português – Dolby Digital 5.1
Espanhol – Dolby Digital 5.1
Formato de tela: Letterbox
Ficha técnica
Título Original: A Serious Man.
Origem: Estados Unidos / Inglaterra / França, 2009.
Direção: Ethan Coen e Joel Coen.
Roteiro: Joel Coen e Ethan Coen.
Produção: Ethan Coen e Joel Coen.
Fotografia: Roger Deakins.
Edição: Ethan Coen e Joel Coen.
Música: Carter Burwell.
Sinopse
Em 1967, Larry Gopnik é um professor que tem sua vida modificada quando sua esposa decide impedir que ele e seu estúpido irmão saiam de casa.
Elenco
Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Fred Melamed, Sari Lennick, Aaron Wolff, Jessica McManus, Peter Breitmayer, Brent Braunschweig, David Kang, Benjy Portnoe, Jack Swiler, Andrew S. Lentz, Jon Kaminski Jr., Ari Hoptman, Alan Mandell, Amy Landecker, George Wyner, Michael Tezla, Katherine Borowitz, Steve Park, Allen Lewis Rickman, Yelena Shmulenson, Fyvush Finkel, Ronald Schultz, Raye Birk, Jane Hammill, Claudia Wilkens, Simon Helberg, Adam Arkin, Jim Cada, Michael Lerner, Charles Brin, Michael Engel, Tyson Bidner, Phyllis Harris, Piper Sigel-Bruse, Hannah Nemer, Rita Vassallo, Warren Keith, Neil Newman, Tim Russell, Jim Lichtscheidl, Wayne A. Evenson, Scott Thompson Baker, Landyn Banx, Rachel Grubb, Sherilyn Henderson, Nicole Kruex, Lauri Mueller, Helen Murray, Lisa Pechmiller e Asher Pink.
Premiações
Indicado ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original. Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator – Comédia ou Musical (Michael Stuhlbarg). Indicado ao BAFTA de Melhor Roteiro Original.
Confira o trailer de Um Homem Sério
Informações do DVD
Estúdio: Universal Pictures do Brasil
Tempo: 106
Cor: Colorido
Recomendação: 14 anos
Região do DVD: Região 4
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Idiomas / Sistema de som:
Português – Dolby Digital 5.1
Inglês – Dolby Digital 5.1
Espanhol – Dolby Digital 5.1
Formato de tela: Widescreen
Informações especiais: Menu Interativo / Seleção de Cenas / Seleção de Legendas / Seleção de Idiomas
Crítica
Na década de 30, o físico austríaco Erwin Schrodinger criou um experimento que, posteriormente, ficou conhecido como “Gato de Schrodinger”. Sua tese propunha um paradoxo de causalidade em que duas alternativas contraditórias e opostas entre si poderiam coexistir simultaneamente.
Explicando: Schrodinger partiu do pressuposto que um gato vivo, colocado dentro de uma caixa, e estando à mercê de um veneno, pode estar simultaneamente vivo e morto. Isso porque, a menos que você realmente veja o gato dentro da caixa, qualquer opinião que você possa ter sobre ele nada mais é do que mera suposição. Essa teoria ganhou corpo dentro da mecânica quântica e ilustra o Princípio da Incerteza, outra teoria do gênero.
Qual a importância de compreender estes elementos para entender o filme Um Homem Sério, dos irmãos Coen? Significativa, tanto do ponto de vista em que o contexto do filme pode ser inserido quanto das nuances que a trama apresenta. Donos de uma filmografia que reúne produções respeitáveis como Fargo, O Grande Lebowski e Onde os Fracos Não Têm Vez, Joel e Ethan Coen, com raríssimas exceções, pautaram seus trabalhos pelo aspecto comercial.
Produzindo filmes singulares em termos de construção de personagens (intrigantes excêntricos) e diálogos repletos de finas ironias (sarcásticos e reflexivos) os irmãos Coen criaram em torno de si uma espécie de aura de referência. Basta ver alguns minutos de um de seus filmes, qualquer que seja, para que tenhamos a sensação de que “vemos algo que parece dos irmãos Coen”.
Se por um lado este é um belo exemplo da constante evolução do trabalho de ambos, por outro, aspectos como esse fazem com que público e crítica criem uma espécie de predisposição aos seus trabalhos, nesse caso positiva. Essa predisposição não é exclusividade deles, mas afeta a todos aqueles que por anos a fio tiveram mais trabalhos bons do que ruins em suas carreiras.
Assim, mesmo antes de assistir a um filme, presume-se que ele seja bom. O filme em si é visto com o propósito de confirmar uma tese e, ainda que ela não se confirme, o histórico anterior dos diretores funciona como um atenuante, pesando na avaliação final. Que ambos são reconhecidamente competentes, não resta dúvida. Que fazem filmes do seu jeito, sem pensar se haverá retorno financeiro ou não, também é certo. Agora, não é porque são competentes e fazem filmes “mais artísticos do que comerciais” que presumidamente seus filmes são necessariamente bons ou agradáveis.
Um Homem Sério parece usar essas premissas com maestria, tanto para contar sua história quanto para induzir ao público de que estamos de algo diferenciado. Na produção acompanhamos a pacata vida do professor de Matemática Lawrence Gopnik (Michael Stuhlbarg), um homem de família judia e que está às voltas com diversos problemas que o levam a uma situação de incertezas.
Sua esposa, Judith Gopnick (Sari Lennick) está pedindo o divórcio para ir viver com outro homem, de quem já é amante; seu filho, Danny Gopnick (Aaaron Wolff) passa os dias mais preocupado em conseguir maconha do que com qualquer outra coisa; assim como sua filha, Sarah Gopnick (Jessica McManus), que tem olhos apenas para a aparência e para as saídas com as amigas.
Levando ao extremo seus conceitos matemáticos, Gopnick não consegue fugir do raciocínio lógico de que para cada consequência existe uma causa. Assim, como um homem normal “que não fez nada”, não consegue entender o porque de tantos revezes em sua vida, uma vez que se considera “um homem sério e de fé” (e nesse ponto o fato de ele pertencer às rígidas tradições, mais uma vez, presume muita fé).
Gopnick busca uma explicação lógica para o que está acontecendo em sua vida junto aos rabinos da cidade. No entanto, com respostas metafóricas e vagas, que mais acrescentam perguntas do que esclarecem as causas, o professor aos poucos começa a se questionar diante de sua passividade. Se não há causa, por que há uma consequência? Seria possível que o universo funcionasse de maneira aleatória?
O dilema do personagem é ricamente ilustrado em três circunstâncias. As duas primeiras surgem logo nos minutos iniciais do filme. O prólogo nos mostra uma pequena história onde a incerteza e a fé se cruzam. Um homem, que se imaginava morto, surge repentinamente na vida de um casal. Mesmo estando diante dele, a mulher custa a acreditar que ele esteja vivo e o acerta com uma faca, acreditando ser ele uma ilusão. Temos fé se sobrepondo a certeza e se alimentando da incerteza.
Na cena seguinte, uma montagem paralela, utilizando um princípio básico de edição, nos leva a crer que um jovem, ouvindo música em um walkman, é a mesma pessoa que aparece mais velha fazendo exames médicos no ouvido. O princípio causa / consequência mais uma vez é questionado, já que logo no momento seguinte vemos que, na verdade, ambas as histórias não têm nada em comum.
Momentos como esse, em que causa e consequência são colocadas lado a lado, apenas para serem negadas, existem em abundância no filme. O que poderia ser uma tomada de partido dos irmãos Coen contra a fé essa “lei universal de causalidade” acaba se revelando apenas mais uma possibilidade, uma vez que também há cenas que sugerem o contrário. Ao ter uma atitude contra seus princípios morais, por exemplo, temos a sugestão que Gopnick foi castigado com uma enfermidade grave.
Se a maneira encontrada para expor esse paradoxo é inteligente e bem construída do ponto de vista da edição e da linguagem cinematográfica, com planos belíssimos e não convencionais frutos da fotografia singular do sempre competente Roger Deakins (Um Sonho de Liberdade), por outro lado o roteiro de Um Homem Sério nos apresenta uma narrativa tão formal que muito da mensagem se perde no meio do caminho devido à linearidade do ritmo com que tudo acontece.
A sensação é que não há altos e baixos ou não há clímax em momento algum. Se parte do sucesso de uma produção é fazer com que o espectador se identifique com um personagem, aqui ela praticamente inexiste, fazendo com que lê fique à mercê do olhar (nem sempre) curioso do espectador. A trama se desenvolve e acontece, mas a maneira como esse desenvolvimento é percebido pelo espectador é muito mais martirizante do que instigante.
Há muito tempo defendo que o melhor tipo de filme não é aquele que é extremamente divertido, do ponto de vista do entretenimento, nem aquele conceitualmente artístico, do ponto de vista estético, mas sim aquele que consegue equilibrar os dois aspectos, transmitindo uma mensagem inteligente (conteúdo) de uma maneira agradável que cative o espectador (entretenimento). Um Homem Sério acerta em cheio na arte, mas erra feio em se tratando de atratividade. E se o filme não é para o público (mesmo que um público restrito), para quem mais poderia ser?
Assim como o Gato de Schrodinger, Um Homem Sério pode ser visto como um bom filme ou um filme ruim, simultaneamente. Artisticamente bem concebido, mas muito longe de ser aprazível para o público. Afinal, de que vale a melhor das mensagens se ela não é compreendida? Talvez esse seja um dos paradoxos mais frequentes na cabeça dos artistas e que nós, o público, jamais venhamos a compreender.
