Arquivos para ‘Ficção’ Categoria

Ficha técnica

Título Original: War of the Worlds.
Origem: Estados Unidos, 2005.
Direção: Steven Spielberg.
Roteiro: Josh Friedmann e David Koepp, baseado em livro de H. G. Wells.
Produção: Kathleen Kennedy e Colin Wilson.
Fotografia: Janusz Kaminski.
Edição: Michael Kahn.
Música: John Williams.

Sinopse

Ray Ferrier é um pai divorciado que trabalha nas docas. Ao receber a visita de seus dois filhos, Robbie e Rachel, Ray presencia um evento que mudará para sempre sua vida: uma máquina de guerra alienígena emergindo do chão. Ela incinera tudo que encontra pela frente. Trata-se do primeiro de uma série de ataques alienígenas ao planeta.

Elenco

Tom Cruise, Justin Chatwin, Dakota Fanning, Tim Robbins, Miranda Otto, David Alan Basche, James DuMont, Yul Vazquez, Daniel Franzese, Amir Allak, Michalina Almindo, Michael Arthur, Cass Asher, Verton R. Banks, Tania Barone, Gene Barry , Gerald Blakey, David Blanc, Shon Blotzer, David Campbell, Benny Ciaramello, Shanna Collins, David Conley, Robert DaGasta, Ambi Daniel, Crystal Dawne, Joseph DeBona, Matt DeWinkeleer, Jane Di Nicola, Robert Feeley, Miguel Antonio Ferrer, Pamela Fischer, Takayo Fischer, Morgan Freeman, Charles ‘Chaz’ Galuski, David Gere, Stephen Gevedon, Jennifer Glasgow, Rick Gonzalez, Tommy Guiffre, Jim Hanna, David Harbour, Amy Hohn, Elizabeth Jayne Hong, John Thompson Hopkins, Priscilla Hopkins, Tracy Howe, Dalon Huntington, Daniel A. Jacobs, Angie Jaree, Freddie Johnson, Ingrid Johnson, Lauri Johnson, Janis Jones, Johnny Kastl, George Katt, Vladislav Kozlov, January LaVoy, Christy Lee, Lorelei Llee, Riley G. Matthews Jr., Mariann Mayberry, Kirsten Nelson, Emily Nilsen, Robert O’Connor, Jorge Pallo, Jason Patrick Palmer , Dempsey Pappion, Rick Pisarro, Sharrieff Pugh, Laura Zoe Quist, Bill Richards, Ann Robinson, Rachelle Roderick, Cory Rodriguez, Amy Ryan, Camillia Sanes, Rafael Sardina, Stacy Sarver, Ed Schiff, John Scurti, Columbus Short, Ty Simpkins, Robert Bowen Smith, Ian Snell, Channing Tatum, Patrick Tierney, Chris Todd, Mark Valinsky, Ed Vassallo, Lenny Venito, Travis Aaron Wade, Michael Waldron, Lisa Ann Walter, Christopher Evan Welch, Julie White, Christopher Wiackley, Marlon Young, Dianne Zaremba e Eric Zuckerman.

Premiações

Indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais, Melhor Som e Melhor Efeitos Sonoros. Indicado ao MTV Movie Awards de Melhor Performance Assustada (Dakota Fanning). Indicado ao Framboesa de Ouro de Pior Ator (Tom Cruise).

Confira o trailer de Guerra dos Mundos

Informações do Blu-ray

Estúdio: Paramount Pictures
Tempo: 116
Cor: Colorido
Recomendação: 12 anos
Região do DVD: Multi-Região
Formato de tela: Widescreen
Informações especiais: Áudio: Inglês (5.1 DTS HD – MA), Português, Espanhol e Francês (5.1 Dolby Digital)
Legenda: Espanhol, Francês, Português, Inglês e Inglês SDH

Informações do DVD

Estúdio: Paramount Pictures
Tempo: 116
Cor: Colorido
Recomendação: 14 anos
Região do DVD: Região 4
Legendas: Português, Inglês
Idiomas / Sistema de som:
Português – Dolby Digital 5.1
Inglês – Dolby Digital 5.1
Português – DTS 5.1
Formato de tela: Widescreen
Informações especiais: Revisitando a Invasão – Legado de H.G. Wells – Steven Spielberg e a Guerra dos Mundos Original – Personagens: Núcleo Familiar – Pré-Visualização – Diários da Produção (Costa Leste: O Início; O Fim – Costa Oeste: Destruição; Guerra) e Muito Mais

Crítica

Não é de hoje que os cineastas de Hollywood tentam destruir a Terra. Ao longo dos anos foram muitos os filmes-catástrofe que chegaram à tela grande, uns melhores outros piores, mas sempre com a premissa final de que os seres humanos unidos podem vencer qualquer adversidade.

Guerra dos Mundos não é diferente. Não é difícil, durante o filme, recordar de outros filmes do gênero que lotaram os cinemas mundo afora. A diferença – se é que podemos assim dizer – está no fato deste ter a assinatura do gênio do entretenimento que, com filmes que aliam ficção científica à aventura – com raras e agradáveis excessões – conseguiu conquistar aquela que é considerada hoje a terceira maior fortuna do cinemão americano.

Em Guerra dos Mundos há de tudo um pouco. Erupções como as de Volcano – A Fúria, furacões como em Twister, aliens eliminando seres humanos com raios como em Independence Day e navios afundando como em Titanic. A diferença fica, portanto, não no que está sendo visto, mas em como foi feito.

Spielberg não é bobo e a estrutura de seu filme não é tão simplória como a das produções acima. A história gira em torno de Ray, interpretado por Tom Cruise, um estivador distante de seus filhos a ponto de não saber nem mesmo como se portar diante deles. Separado da mulher, ele recebe seus filhos para um final-de-semana em sua casa, enquanto misteriosos fenômenos de raios acontecem em todo o mundo. Não demora para a série de catástrofes chegar aos Estados Unidos, bem diante – é claro, dos olhos admirados de Ray, que inicia uma fuga heróica das máquinas alienígenas que começam a dizimar tudo o que vêem pela frente. Nada original.

Aqui vale um parênteses. A surpresa fica por conta da boa atuação de Tom Cruise, que, a olhos vistos, vem demonstrando uma evolução em suas atuações. A exemplo de sua ex-mulher, Nicole Kidman, que após a separação parece ter se solatdo e se revelado uma atriz de talento, com grandes atuações em filmes como Moulin Rouge – Amor em Vermelho, As Horas e Dogville, Cruise parece estar seguindo o mesmo caminho – embora tenha se demorado muito mais para despertar. Suas últimas atuaçãoes – em O Último Samurai e Colateral – ficaram acima da média da sua, até então, mercadológica carreira.

Cruise consegue boas cenas dramáticas junto de sua filha Rachel – interpretada por Dakotta Fanning (O Amigo Oculto), a criança da vez em Hollywood e que a exemplo do último “prodígio”, Haley Joel Osment, vai parar nos sets de filmagem de Spileberg.

Por que ver ou não Guerra dos Mundos, então? Porque diferente dos outros filmes-catástrofes este é um filme de Steven Spielberg. Tudo aquilo que é ruim e foi sucesso, pode ser melhorado. E nada melhor que um homem experiente no mercado como ele para se encarregar de tal transformação. É claro, há problemas, como há em quase tudo do gênero feito por ele, como excesso de dramatização e soluções surreais – se é que pode haver algo normal em uma invasão alienígena. Porém mais uma vez ele acerta em cheio no alvo quando o assunto é entretenimento. Quem sabe não seja ele a salvação para um ano péssimo nas bilheterias mundo afora? Os grandes produtores de Hollywood agradecem.

Nota 6

Ficha técnica

Título Original: Avatar.
Origem: Estados Unidos, 2009.
Direção: James Cameron.
Roteiro: James Cameron.
Produção: James Cameron e Jon Landau.
Fotografia: Mauro Fiore e Vince Pace.
Edição: John Refoua e Stephen E. Rivkin.
Música: James Horner.

Sinopse

Jake, um veterano de guerra paraplégico, é levado em uma missão à Pandora, um planeta habitado pelos Navi, uma raça humanóide que possui cultura e idioma próprios. O encontro com esses seres muda a vida dele para sempre.

Elenco

Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Michelle Rodriguez, Giovanni Ribisi, Joel Moore, CCH Pounder, Wes Studi, Laz Alonso, Dileep Rao, Matt Gerald, Sean Anthony Moran, Jason Whyte, Scott Lawrence, James Pitt, Sean Patrick Murphy, Peter Dillon, Kevin Dorman, Kelson Henderson, David Van Horn, Jacob Tomuri, Michael Blain-Rozgay, Jon Curry, Julene Renee, Luke Hawker, Woody Schultz, Peter Mensah e Ilram Choi.

Premiações

Oscar de Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhores Efeitos Especiais. Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama e Melhor Diretor. BAFTA de Melhor Design de Produção e Melhores Efeitos Especiais.

Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som e Melhor Edição de Som. Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original. Indicado ao BAFTA de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Som e Melhor Trilha Sonora.

Confira o trailer do filme Avatar

Informações sobre o Blu-ray

Estúdio: Fox Film
Tempo: 166
Cor: Colorido
Recomendação: 12 anos
Região do DVD: Multi-Região
Legendas: Inglês, Português, Espanhol
Idiomas / Sistema de som:
Inglês – Dolby Digital 5.1
Português – Dolby Digital 5.1
Espanhol – Dolby Digital 5.1
Formato de tela: Widescreen

Informações sobre o DVD

Estúdio: Fox Film
Tempo: 166
Cor: Colorido
Recomendação: 12 anos
Região do DVD: Região 4
Legendas: Inglês, Português, Espanhol
Idiomas / Sistema de som:
Inglês – Dolby Digital 5.1
Português – Dolby Digital 5.1
Espanhol – Dolby Digital 5.1
Formato de tela: Widescreen

Crítica

“A verdadeira viagem da descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos”.  A frase é do escritor francês Marcel Proust, mas bem que poderia ser da Dr. Grace Augustine, personagem interpretada por Sigourney Weaver em Avatar. A aventura idealizada por James Cameron que levou nada menos de doze anos para sair do papel e se transformar em realidade surge não apenas como um marco tecnológico na história do cinema, mas conquista o seu espaço entre as grandes produções deste novo século.

Cameron era um simples motorista de caminhão quando na década de 70 um sonho ousado de outro visionário mudou a sua trajetória para sempre. Ao entrar num cinema e assistir Star Wars: Episódio 4 – Uma Nova Esperança decidiu que a ficção científica e aqueles mundos imaginários fariam parte de sua vida. Dali em diante, a admiração virou obsessão e o cinema transformou-se na ferramenta para dar vida a sucessos como Aliens – O Resgate, O Exterminador do Futuro, O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final, O Segredo do Abismo, True Lies e a maior bilheteria da história do cinema – Titanic.

Com um currículo como esse o diretor bem que poderia se aposentar tendo a certeza de que seu nome estaria inscrito para sempre na história do cinema. No entanto, Cameron optou pelo caminho menos óbvio e mais ousado: decidiu reescrever essa história e apontar o caminho para o que virá na próxima década. Assim nasceu o mundo de Avatar, uma produção tão grandiosa quanto o seu astronômico orçamento que, segundo especulações, pode ter chegado à marca de US$ 400 milhões.

Nada disso faria sentido se Avatar fosse apenas um show pirotécnico de efeitos especiais com uma história vazia e sem conteúdo. Por mais que o currículo de Cameron apontasse para mais uma produção de qualidade – afinal regularidade é uma das marcas de sua carreira – muitos torceram o nariz e imaginaram que a nova produção seria apenas um palco para uma exibição de imagens computadorizadas de alta qualidade projetadas a esmo em três dimensões numa tela gigantesca.

Como aquele sonho mais desejado, Avatar representa a realização máxima do diretor. Aos 55 anos, Cameron pode comemorar o resultado de sua obsessão pela invenção de novas tecnologias que tornassem possível as filmagens à maneira como idealizou. E pode se consagrar não só como o rei do cinema desta década, mas como Deus do seu próprio mundo, o planeta Pandora onde toda a ação do filme se desenvolve.

Em Avatar acompanhamos a trajetória de Jake Sully (Sam Worthington), um cabo do exército portador de deficiência motora, que com a morte do irmão é convidado a assumir o seu lugar em uma missão de exploração no planeta Pandora. Com uma atmosfera hostil à respiração do ser humano, para que seja possível locomover-se nesse ambiente os humanos criam os avatares, um híbrido de terráqueos com na’vis – os habitantes do planeta – controlados por projeção de consciência. Com uma vida dupla, Jake ganha a missão de se infiltrar aos na’vis e aprender a sua cultura de forma a dar informações ao exército para que possa explorar um rico minério localizado em uma área sagrada para esta população.

Sua incursão em meio aos nativos acaba se transformando em uma jornada de redenção. A simplicidade da história é apenas um tímido alicerce para dar vazão a algumas metáforas e ideais do diretor. Se por um lado a invasão do planeta se assemelha a colonização do Oeste americano, ou mesmo da nossa América, com a apropriação indevida de território e o massacre cultural ocorrido com os indígenas séculos atrás, da mesma forma a forma como os na’vis vêem e interagem com a natureza levanta uma séria mensagem de reflexão acerca do que nós mesmos estamos fazendo com o nosso planeta, sem nos darmos conta de onde estão as nossas próprias riquezas.

Ironicamente a imersão na história que a produção de Cameron nos proporciona faz com que nós, humanos, vejamos o mundo pelos olhos dos nativos. E é olhando “de fora” o problema, ou do ponto de vista deles, que percebemos os nossos próprios erros de conduta e a maneira obsessiva e doentia de dar continuidade a uma exploração desenfreada dos nossos próprios recursos naturais. É como se estivéssemos vivenciando de maneira mais intensa um filme como A Missão, onde o choque cultural e os valores díspares ficam tão evidentes e nos colocam envergonhados diante do que valorizamos.

De maneira inteligente, Avatar cria um mundo de Pandora com beleza exuberante. Pandora é uma floresta biofluorescente, com plantas multicoloridas com brilho de néon e um aspecto que, além de saltar aos olhos, parece exalar vida a cada quadro. Tal qual a riqueza da nossa floresta isso é colocado em segundo plano diante da possibilidade de riquezas fáceis vislumbrada pelos seres humanos.

Com elementos de computação gráfica capazes de colocar qualquer outra grande produção de joelhos perante o seu reinado, Avatar apresenta personagens em CGI extremamente bem concebidos e verossímeis. Não fosse dessa maneira, seria doloroso e forçado fazer com que o espectador se colocasse ao lado do povo Na’vi. Porém, ao contrário, a experiência é saborosa de tal forma que, mesmo após a projeção, torna-se quase que irresistível a vontade de voltar para aquele mundo onde tudo parece perfeito e harmônico.

Com uma projeção de pouco mais de duas horas e meia em momento algum, mesmo no início onde a história se desenvolve em um ritmo menos acelerado, Avatar se torna cansativo, monótono ou recai em elementos redundantes. A história apresenta arcos narrativos muito bem definidos e segue uma linearidade acessível ao grande público e satisfatória para os mais exigentes, culminando com uma cena de batalha nos trinta minutos finais de deixar qualquer um simplesmente sem fôlego.

Aliás, esta última meia hora é memorável não só imageticamente como de maneira simbólica. A destruição do principal e mais imponente patrimônio Na’vi com um bombardeio justificado pela premissa obtusa de que “o terror deve ser combatido com o terror” serve não somente como uma crítica a política belicista adotada de longa data pelo governo norte-americano como também nos remete ao fatídico 11 de setembro, com a queda do World Trade Center num atentado em Nova York.

À sua maneira Cameron reúne em Avatar um apanhado de elementos que já foram abordados isoladamente em diversas outras produções e reúne-os em uma perfeita alegoria de transformação do ser humano graças ao resgate de suas origens e a contemplação de sua essência. Chega a ser poético pensar que a revolução do cinema anunciada por Avatar, assim como o efeito 3D, esteja nos nossos próprios olhos. A resposta está na maneira como vemos o mundo – ou como poderíamos vê-lo se outras riquezas fúteis não insistissem em nos cegar.

Avatar conquista com méritos um lugar cativo na história do cinema como a melhor produção de 2009 e, sem sombra de dúvidas, um dos cinco mais importantes filmes dessa década. Valeu a pena esperar. Se James Cameron tinha em mente transformar Avatar em um sonho coletivo que pudesse ser sonhado com olhos bem abertos em uma sala escura de cinema seu objetivo foi alcançado. Assistir Avatar em três dimensões é uma experiência única e transformadora em que o espectador é presenteado com imagens que, dificilmente, sairão de sua mente por um bom tempo. Esperamos que a sua mensagem também não se perca. Simplesmente uma obra de arte memorável.

Nota 10