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Ficha técnica

Título Original: Chico Xavier – O Filme.
Origem: Brasil, 2010.
Direção: Daniel Filho.
Roteiro: Marcos Bernstein, baseado em livro de Marcel Souto Maior.
Produção: Daniel Filho.
Fotografia: Nonato Estrela.
Edição: Diana Vasconcelos.
Música: Egberto Gismonti.

Sinopse

Cinebiografia com a vida e obra do medium Chico Xavier, o maior representante da doutrina Espírita no Brasil no século 20.

Elenco

Nelson Xavier, Ângelo Antônio, Matheus Costa, Tony Ramos, Christiane Torloni, Giulia Gam, Letícia Sabatella, Luis Melo, Pedro Paulo Rangel, Giovanna Antonelli, André Dias, Paulo Goulart, Cássia Kiss, Cassio Gabus Mendes, Rosi Campos, Carla Daniel, Ailton Graça, Charles Fricks, Jean Pierre Noher, Nildo Parente, Bruce Gomlevsky, Pablo Sanábio, Cadu Fávero, Glaucia Rodrigues, Luiz Serra, Daniel Barcelos Jaimovich, Thelmo Fernandes, Paulo Vespúcio, Cynthia Falabella, Via Negromonte, Adelaide De Castro, Osvaldo Mil, Larissa Vereza, Anselmo Vasconcellos, Ana Rosa, Nilvan Santos, Duvivier, Samuel De Assis, Andréa Caldas, Kika Freire, Flávia Guedes, Carla Cabe, Tania Costa, Cacá Dias, Alexandre David, Antonio Destro, Carlos Mariano, Julio Uchoa, Anja Bittencourt, Mariana Bassoul, Thamirys Spyker, Carolina Pavanelli, Juliana Bertoni, Tião D’ávilla, Maria Helena Pader, Renata Imbriani, Raul Tolledo, Pietro Mario, Rejane Zilles, Cininha De Paula, Prazeres Barbosa, Gustavo Ottoni, Fabio Porchat, Leonardo Jabbour, Helio Ribeiro, Guilherme Bernard, Matheus Guedes, Andre Luiz Frambach, Raquel Bonfante, Matheus De Sá e Victor Navega Mott.

Confira o trailer de Chico Xavier – O Filme

Informações do Blu-ray

Estúdio: Sony Pictures
Tempo: 125
Cor: Colorido
Recomendação: livre
Região do DVD: Multi-Região
Legendas: Inglês, Português, Espanhol, Francês
Idiomas / Sistema de som:
Português – Dolby Digital 5.1
Formato de tela: Widescreen

Informações do DVD

Estúdio: Sony Pictures
Tempo: 125
Cor: Colorido
Recomendação: livre
Região do DVD: Região 4
Legendas: Inglês, Português, Espanhol, Francês
Idiomas / Sistema de som:
Português – Dolby Digital 5.1
Formato de tela: FullScreen
Informações especiais: Extras: Seleção de Cenas; Making Of; Comentários do Diretor e Equipe; Trailer; Narração da Sinopse; Descrição dos Principais Personagens

Crítica

Cinebiografias ainda são um gênero relativamente pouco explorado no cinema nacional. Infelizmente, apesar dos avanços que a retomada do cinema brasileiro trouxe para a nossa cinematografia, apenas dois ou três títulos do gênero chegam, em forma ficcional, ao grande público a cada ano.

Até então, talvez o mais eficiente deles tenha sido 2 Filhos de Francisco, lançado em 2005, conseguindo aliar qualidade com sucesso de bilheteria. Lula – O Filho do Brasil tentou no início seguir pelo mesmo caminho, mas esbarrou na superficialidade e acabou não se transformando no sucesso que era previsto. Chico Xavier – O Filme traz novamente ao gênero uma certa dose de qualidade, aliando um personagem carismático a uma direção segura e muita mais sugestiva do que indutiva para o espectador.

Aliás, uma direção segura é a mais agradável surpresa que se pode constatar na produção conduzida por Daniel Filho. O diretor que, até então, limitou-se a trabalhos muito mais novelescos do que cinematográficos, usando e abusando de uma linguagem televisiva para apresentar comédias como A Partilha e Se Eu Fosse Você, aqui dispõe dos elementos televisivos para construir um honesto contraponto entre a figura do médium Chico Xavier e a aceitação por parte do público perante aos seus dons.

Ambientado em três momentos distintos de sua vida – entre 1918 e 1922; entre 1931 e 1959; e entre 1969 e 1975 – a trama apresenta como elemento de condução a célebre entrevista concebida pelo espírita ao programa de TV Pinga-Fogo (disponível na íntegra em DVD) e que foi uma das responsáveis pela consolidação do nome de Chico Xavier com um dos mais importantes guias espirituais brasileiros.

Em todos os momentos, as atuações dos intérpretes do personagem principal se destacam. Porém é de Ângelo Antonio a grande atuação do filme. Sua composição de personagem é precisa e transmite a simplicidade e a inocência pregadas por Chico Xavier. O tom de voz ameno, os gestos delicados e o olhar confuso questionando os seus próprios dons são marcas características que contribuem para a verossimilhança com o verdadeiro Chico.

O ponto destoante fica por conta de André Dias (Emmanuel). Sua interpretação do espírito guia Emmanuel é extremamente teatral e, em muitos momentos, inexpressiva. Seus gestos e sua postura intimidante em nada combinam com as palavras que profere, criando uma figura muito mais arrogante e presunçosa do que espiritual.

Outro elemento que acrescenta muito à trama é o núcleo conduzido por Orlando (Tony Ramos), um dos editores do programa Pinga-Fogo. Ateu, Orlando vivencia uma crise com sua mulher depois da morte do filho do casal, em um acidente envolvendo um amigo do garoto. Cético e amargurado, um elemento importante relacionado ao médium faz com que ao final ele se transforme e, de maneira convincente, apresente um dos momentos mais dramáticos e emocionantes da produção e que certamente terá identificação imediata por parte do espectador.

Outra decisão acertada do filme é o fato de retratar Chico Xavier não como alguém imaculado, mas passível de erros e defeitos. Isso contribui para que, ainda que suas virtudes sejam significativamente maiores que os defeitos, o tornem menos artificial e muito mais humano aos olhos do público. Assim, vemos o médium em momentos (poucos) de vaidade e incredulidade diante de seus próprios dons.

O trabalho de reconstrução de época, mostrando o Brasil rural do interior de Minas Gerais é da mesma forma acertado. É bem verdade que em alguns momentos o filme deixa de empolgar e se mostra cansativo e repetitivo. Os primeiros quarenta minutos, por exemplo, bem poderiam ser resumidos sem prejuízo da história e mesmo o fato de Chico sofrer maus tratos de sua madrasta na infância, repetidas vezes, pouco acrescenta à biografia em si do personagem e à versão cinematográfica.

O sucesso de Chico Xavier – O Filme nas bilheterias prova que o mercado brasileiro tem público – e diversos tipos de público – e responde positivamente quando uma produção reúne elementos com apelo popular, com a figura de Chico, e um roteiro de qualidade. Com diversidade de histórias e fuga de lugares comum como o tripé favela/nordeste/comédia temos tudo para um dia ter um ritmo mais industrial de produção. Nesse caso, acreditar não custa nada.

Nota 7