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Ficha técnica

Título Original: Up in the Air.
Origem: Estados Unidos, 2009.
Direção: Jason Reitman.
Roteiro: Jason Reirman e Sheldon Turner, baseado em livro de Walter Kim.
Produção: Jeffrey Clifford, Daniel Dubiecki, Ivan Reitman e Jason Reitman.
Fotografia: Eric Steelberg.
Edição: Dana E. Glauberman.
Música: Rolfe Kent.

Sinopse

Ryan Bingham é um consultor que tem a tarefa de demitir funcionários para cortar os gastos das empresas. Quando não está no trabalho, ele gosta de passar o tempo em quartos de hotéis pouco conhecidos e cabines de vôos. Com uma carta de demissão na mesa de seu chefe, e a promessa de trabalho em uma misteriosa firma de consultoria, Bingham está perto de conquistar o seu principal objetivo: conseguir um milhão de milhas como passageiro. Baseado no livro escrito por Walter Kirn.

Elenco

George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Amy Morton, Melanie Lynskey, J.K. Simmons, Sam Elliott, Danny McBride, Zach Galifianakis, Chris Lowell, Steve Eastin, Marvin Young, Lucas MacFadden, Adrienne Lamping, Meagan Flynn, Dustin Miles, Tamara Tungate, Laura Ackermann, Meghan Maguire, Courtney Kling, Matt O’Toole, Alan David, Erin McGrane, Cari Mohr, Jerry Vogel, Adhir Kalyan, Jeff Witzke, Dave Engfer, Paul Goetz, Michelle Reitman, Jennifer Nitzband, Bill Yancy, John Mebruer, Ellen Gutierrez, Kevin Pila, Kelly Berth, Cozy Bailey, Lamorris Conner, Deborah L. Norman, Casey Bartels, Billy Phelan, Arthur Hill, Patricia Allison, David F. Rybicki, George Batten, Jo Michelle Favaro, Andy Glantzman, Marlene Gorkiewicz, Stephanie Janiunas, Scott Lapinski, K. Darnell Lewis, Thomas M. Martilotti, Grace Smith, Mark Sommers, Wilbur Weidlich, Erin Welsh-Krengel, Ed Callison, Doug Fesler, Andrew Kruczynski, Mallory Scott e Lauren Mae Shafer.

Premiações

Globo de Ouro de Melhor Roteiro. BAFTA de Melhor Roteiro Adaptado.

Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (George Clooney), Melhor Atriz Coadjuvante (Anna Kendrick), Melhor Atriz Coadjuvante (Vera Farmiga) e Melhor Roteiro Adaptado. Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor, Melhor Ator – Drama (Geroge Clooney), Melhor Atriz Coadjuvante (Vera Farmiga) e Melhor Atriz Coadjuvante (Anna Kendrick). Indicado ao BAFTA de Melhor Filme, Melhor Ator (George Clooney), Melhor Atriz Coadjuvante (Anna Kendrick), Melhor Atriz Coadjuvante (Vera Farmiga) e Melhor Edição.

Confira o trailer de Amor Sem Escalas

Informações do Blu-ray

Estúdio: Paramount Pictures
Tempo: 109
Cor: Colorido
Recomendação: 14 anos
Região do DVD: Multi-Região
Legendas: Inglês, Português
Idiomas / Sistema de som:
Inglês – Dolby Digital 5.1
Português – Dolby Digital 2.0
Formato de tela: Widescreen

Informações do DVD

Estúdio: Paramount Pictures
Tempo: 109
Cor: Colorido
Recomendação: 12 anos
Região do DVD: Região 4
Legendas: Inglês, Português
Idiomas / Sistema de som:
Inglês – Dolby Digital 5.1
Português – Dolby Digital 2.0
Formato de tela: FullScreen

Crítica

Não importa o quão repetitiva uma ideia possa ser, sempre haverá uma possibilidade de executá-la de uma maneira diferente. E, o que é mais interessante, sempre haverá a possibilidade de encantar e conquistar o espectador ao colocá-lo frente a frente com situações limite, conquistá-lo e depois subverter suas expectativas.

Amor Sem Escalas não se enquadra apenas na categoria drama. É também comédia. É também romance. E nem por isso se perde, ou ainda pior, apela para a mesmice e a repetição característica de histórias do gênero. A ordem aqui é quebrar as expectativas. E isso é conseguido às custas de dois elementos-chave: um roteiro inteligente e atores carismáticos interpretando personagens tão verossímeis quanto eu ou você.

Escrito e dirigido por Jason Reitman (Juno) – assina ainda o roteiro Sheldon Turner (Big Stan – Arrebentando na Prisão), numa adaptação do livro de Walter Kirn – Amor Sem Escalas prenuncia algo de bom já em sua premissa e confirma a suspeita logo na apresentação dos seus personagens.

Na trama acompanhamos o dia a dia de Ryan Bingham (George Clooney), um alto executivo de uma empresa cuja missão não é das mais nobres: ele é o encarregado de demitir pessoas por todo os Estados Unidos, assumindo o papel em empresas que não tem coragem de dispensar seus próprios empregados. Sua vida é no ar. Dos 365 dias do ano, Ryan passa mais de 300 longe de casa. E se orgulha disso.

Consultor motivacional, suas palestras versam sobre o tema da liberdade como ponto de partida para a ousadia. Sem coisas, lugares e pessoas a se prendem, podemos voar mais alto e apostar sem medo de perder. Da mesma forma, Ryan não envolve em relacionamentos sérios – ou compromissos. Tudo se resume a parceiras de encontros casuais e pequenas aventuras.

Sua vida muda por completo quando a jovem psicóloga Natalie Keener (Anna Kendrick) é contratada pela empresa e, de imediato apresenta uma nova proposta: substituir as dispendiosas viagens aéreas para demissões presenciais por demissões online via videoconferência. E é nesse ponto que temos algo especial e diferente.

Embora Ryan, pelo seu perfil frio, metódico e calculista pareça insensível ou egoísta ele é o primeiro a se levantar contra a ideia “insensível” das demissões virtuais. Por outro lado Natalie, de quem poderia se esperar um pouco mais de compaixão mostra-se dura e decidida a seguir adiante com sua ideia. A proposta é colocada à prova em uma viagem sugerida pelo chefe de ambos, para que Ryan, mais velho, possa ensinar a ela os caminhos tortuosos da profissão.

É justamente a viagem que inicia uma jornada de transformação em ambos. Se Ryan por um lado é obrigado a suportar a convivência com outra pessoa, por outro Natalie conhece na prática como seus pré-conceitos e ideias podem soar como meros rótulos sem muito significado. Acostumada a um estilo de vida onde para que tudo fizesse sentido era preciso estar em busca de um ideal, a jovem é apresentada a um outro lado, mais despojado e realista.

Já Ryan, pela primeira vez, alimenta uma relação com uma recém-conhecida. Não Natalie, como seria óbvio numa comédia romântica, mas Alex Goran (Vera Farmiga), uma executiva da sua faixa etária e com um perfil muito similar: muitas viagens a negócios e satisfação por encontros casuais e nada mais.

A afinidade entre o trio impressiona. George Clooney e Vera Farmiga parecem formar um par perfeito. Clooney personifica o estereótipo do homem de negócios elegante, inteligente e irônico, do tipo que espera conquistar qualquer mulher apenas com um sorriso e um drink. Já Vera Farmiga conduz o papel de uma mulher que consegue se impor quando quer, fazendo às coisas à sua maneira, sem deixar de ser feminina ou perder sua sutiliza. Ambos, porém, são mais experientes e, com o currículo que têm não é nenhum espanto o bom desempenho.

A agradável surpresa fica por conta de Anna Kendrick (Lua Nova). Diferente de papéis inexpressivos de produções anteriores, em Amor Sem Escalas sua desenvoltura contribui muito a ponto de ela servir como um contraponto perfeito para o papel de George Clooney. Mais do que isso, sua personagem sofre profundas transformações ao longo da trama e, com muita naturalidade, a atriz conduz essa mudança sem soar forçada em nenhum momento, sendo responsável até mesmo por alguns bons momentos bem humorados.

Com personagens não agindo da maneira como o público espera, teimando em surpreender não de maneira proposital, mas com muita sutileza, o belo trabalho de roteiro ainda apresenta diálogos convincentes e espelha, com muita propriedade, o pensamento cotidiano de grandes corporações bem como a maneira persuasiva que alguns dos seus funcionários desenvolvem para sobreviver no mercado.

O excelente roteiro e as boas atuações são complementados por bons trabalhos de edição e fotografia. O primeiro é utilizado com muita propriedade para ressaltar a “batalha em curso”. A sequencia inicial, com Ryan montando e desmontando sua mala enquanto passa por um aeroporto, se assemelha a um soldado preparando sua arma para o campo de combate. A alusão, nesse caso, é perfeita e a maneira como é ilustrada também. Alguns cortes secos entre sequência de sentidos distintos também contribuem para que o clima denso seja mantido.

Já o trabalho de fotografia – dirigido por Eric Stellberg (500 Dias Com Ela) – da mesma forma é extremamente feliz ao enquadrar momentos de solidão – há uma sequência quase no final do filme, em que Ryan e Nicole são mostrados de costas e apenas a silhueta de ambos se destaca diante de uma parede de vidro que é belíssima; em outro momento, uma Natalie sozinha em uma sala com cadeiras espalhadas por todos os lados indica que ele não pertence àquele lugar – ou ainda de revelação – outra cena com Ryan em um aeroporto diante do painel de destinos de embarque é composta de maneira exemplar, ressaltando a expectativa do personagem. Algumas tomadas aéreas, mostrando as cidades por onde o executivo passa de uma maneira nada convencional servem também para ilustrar o modo com que o personagem vê o mundo.

Em termos de cinema e desenvolvimento de roteiro Amor Sem Escalas é perfeito a ponto de conseguir causar uma quebra na expectativa do espectador tenha ele se colocado no lugar de qualquer um dos três personagens principais. As revelações finais são surpreendentes e acentuam ainda mais a transformação pela qual cada um deles passa.

Sozinho em meio à multidão Ryan Bingham se sente completo e feliz, carregando sobre os ombros uma mala vazia de esperanças. Sua transformação, ao final, se mostra realista e muito mais intimista do que explícita, num desfecho corajoso e, mais uma vez, longe do convencional do cinema hollywoodiano. Nem mesmo a infeliz tradução brasileira do título para Amor Sem Escalas – numa clara tentativa de vendê-lo ao público como comédia romântica – soará como propaganda enganosa. Afinal, se a ideia é surpreender e subverter as expectativas quem for ao cinema esperando uma boa dose de risadas com açúcar terá a oportunidade de saborear uma boa dose de realidade.

Nota 9

Ficha Técnica

Título Original: An Education.
Origem: Inglaterra, 2009.
Direção: Lone Scherfig.
Roteiro: Nick Hornby, baseado em memórias de Lynn Barber.
Produção: Finola Dwyer e Amanda Posey.
Fotografia: John de Borman.
Edição: Barney Pilling.
Música: Paul Englishby.

Sinopse

Durante os anos 60, a vida de uma garota de 17 anos muda completamente depois que ela conhece um homem de 35 anos, que começa a cortejá-la com jantares elegantes, clubes e viagens. O comportamento do rapaz conquista também o pai da garota, mas coloca em risco o futuro da garota na Universidade de Oxford.

Elenco

Carey Mulligan, Olivia Williams, Alfred Molina, Cara Seymour, William Melling, Connor Catchpole, Matthew Beard, Peter Sarsgaard, Amanda Fairbank-Hynes, Ellie Kendrick, Dominic Cooper, Rosamund Pike, Nick Sampson, Kate Duchêne, Bel Parker, Emma Thompson, Luis Soto, Olenka Wrzesniewski, Bryony Wadsworth, Ashley Taylor-Rhys, Sally Hawkins, James Norton, Beth Rowley, Ben Castle, Mark Edwards, Tom Rees-Roberts, Arne Somogyi, Paul Wilkinson e Phil Wilkinson.

Premiações

BAFTA de Melhor Atriz (Carey Mulligan).

Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Atriz (Carey Mulligan) e Melhor Roteiro Adaptado. Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Atriz – Drama (Carey Mulligan). Indicado ao BAFTA de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Alfred Molina), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Melhor Filme Britânico.

Confira o trailer de Educação

Informações do Blu-ray

Estúdio: Sony Pictures
Tempo: 110
Cor: Colorido
Recomendação: 14 anos
Região do DVD: Multi-Região
Idiomas do Filme: Português e Inglês (5.1 DTS-HD), Espanhol e Tailandês (5.1 DD)
Legendas do Filme: Português, Inglês, Espanhol entre outras
Informações especiais: Menus em Português e Inglês, Seleção de Cenas, Trailers (sem legenda), Comentários, Cenas Excluídas, Making Of, BD-Live

Ficha técnica

Título Original: Did You Hear About the Morgans?
Origem: Estados Unidos, 2009.
Direção: Marc Lawrence.
Roteiro: Marc Lawrence.
Produção: Liz Glotzer e Martin Shafer.
Fotografia: Florian Ballhaus.
Edição: Susan E. Morse.
Música: Theodore Shapiro.

Sinopse

Rico casal de Nova York com problemas de relacionamento vê um assassinato e é colocado no programa de proteção a testemunha, em uma pequena cidade.

Elenco

Hugh Grant, Sarah Jessica Parker, Natalia Klimas, Vincenzo Amato, Jesse Liebman, Elisabeth Moss, Michael Kelly, Seth Gilliam, Sándor Técsy, Kevin Brown, Steven Boyer, Sharon Wilkins, Sam Elliott, Mary Steenburgen, Kim Shaw, David Call, Dana Ivey, Wilford Brimley, Gracie Lawrence, Beth Fowler, Christopher Atwood, Bobbie Bates, Carol J. Connors, Brad Dulin, Laura Fremont, Michael Higgins, Brent Keast, Anthony Marciona, Sarah Mitchell, Mandy Moore, Chris Moss, Nikole Smith, Carey Ysais, George Aloi, James P. Anderson, Audra Blaser, Robert Anthony Brass, Chad Brummett, Peter Conboy, Deville Dalton, Chad DeGroot, Maria Diaz, Mario D’Leon, Robert Feeley, Evelyn Foss, Ronald E. Giles, Robert Nathan Gleason, John Greff, Billy Griffith, Pamela Guthrie, Henry Herman, Nancy Ann Hibbs, Elwood L. Hoyt, Hristo Hristov, Richard Kimberley, Ashley Klein, Aaron Kreltszheim, Lana Lasater, Frosty Lawson, John McTasney, John Mitchell, Anthony Del Negro, Adam Owens, Breanna Perera, Chris Ranney, Fred Resler, J. Santiago, Marcie Shaw, Steve Shaw, J. Nathan Simmons, Andy Sinatra, Edward Sipler, Dan Strakal, Paul Thornton, Mark Vincent, Z. Ray Wakeman, Blake Williams e Rob Yang.

Confira o trailer de Cadê os Morgan?

Informações do Blu-ray

Estúdio: Sony Pictures
Tempo: 103
Cor: Colorido
Recomendação: livre
Região do DVD: Multi-Região
Idiomas do Filme: Inglês, Português (5.1 DTS-HD), Espanhol, Tailandês entre outros (5.1 DD)
Legendas do Filme: Inglês, Português, Espanhol, Tailandês entre outras
Formato de tela: Widescreen
Informações especiais: Menus Português e Inglês / Seleção de Cenas / Trailers / Comentários Diretor, Hugh G. & Sarah J. P. / Making Of / Cowboys e Cosmopolitans / A Moda Urbana Conhece o Campo / Cenas Excluídas / Erros de Gravação / Especial Inter. / BD-Live / MovieIQ

Ficha técnica

Título Original: Duplicity.
Origem: Estados Unidos, 2009.
Direção: Tony Gilroy.
Roteiro: Tony Gilroy.
Produção: Laura Bickford, Jennifer Fox e Kerry Orent.
Fotografia: Robert Elswitt.
Edição: John Gilroy.
Música: James Newton Howard.

Sinopse

Dois espiões de corporações rivais vivem um relacionamento de muitos anos, até que chega a hora de eles se juntarem para executar um elaborado golpe.

Elenco

Clive Owen, Julia Roberts, Tom Wilkinson, Paul Giamatti, Dan Daily, Lisa Roberts Gillan, David Shumbris, Rick Worthy, Oleg Shtefanko, Denis O’Hare, Kathleen Chalfant, Khan Baykal, Thomas McCarthy, Wayne Duvall, Fabrizio Brienza, Lucia Grillo, Carrie Preston, Conan McCarty, Kirby Mitchell, Christopher Denham, Christopher Mann, Seth Kirschner, Karl Bury, Happy Anderson, James Cronin, Esther Pringle, Mary Anne Prevost, Annabel Seymour, Sandy Hamilton, Ulrich Thomsen, Helen Elswit, Samantha Stark, Ronald E. Giles, Moe Hindi, Emily Hughes, Michael Jeremiah, Edgar Jimz, Kimberly Magness, Eliezer Meyer, Christopher Moser, Andrea Osvárt, Ken Sladyk, Brandon Slagle e Tamara Torres.

Premiações

Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Atriz – Comédia ou Musical (Julia Roberts).

Informações do DVD

Estúdio: Universal Pictures do Brasil
Tempo: 125
Cor: Colorido
Recomendação: 12 anos
Região do DVD: Região 4
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Idiomas / Sistema de som:
Português – Dolby Digital 5.1
Inglês – Dolby Digital 5.1
Espanhol – Dolby Digital 5.1
Formato de tela: Widescreen

Crítica

De acordo com a definição do dicionário, a palavra duplicidade, além de ser uma característica ou estado daquilo que é duplo, pode significar também má-fé. É interessante analisar como muitas vezes nos prendemos a apenas um dos muitos significados de um termo, pré-concebendo interpretações únicas em casos em que há margem para um segundo ponto de vista.

Se palavras já são complicadas, da mesma forma algumas vezes tendemos a tratar como sinônimos objetos, qualidades ou substâncias que, em seu âmago, podem ser tão opostas quanto água e óleo. Por exemplo, o que diferencia um creme de uma loção? Alguns podem apontar a sua utilização, outros o seu aspecto, e há quem diga que ambos são a mesma coisa. Mas se analisarmos o nosso exemplo mais a fundo, atentando para os detalhes, certamente teremos uma distinção clara entre um e outro, por menores que sejam as diferenças entre eles.

Com isso, façamos uma analogia. O que diferencia um bom filme de um filme mediano? Novamente, opções de distinção não faltam. Mas certamente, para cada um de nós, uma característica em especial é mais marcante do que outra. Alguns apontarão o roteiro, outros as atuações a edição ou a fotografia. O fato é que, sem nos aprofundarmos na questão, o máximo que conseguimos é ventilar hipóteses que, em parte, podem esclarecer as diferenças.

Profundidade. Esta é a palavra chave para melhor compreendermos o filme Duplicidade. A produção, escrita e dirigida por Tony Gilroy (Conduta de Risco), aposta suas fichas num roteiro bem construído e apresentado de forma fragmentada e não-linear para que o espectador monte, ao longo da produção, um interessante quebra cabeça em que nada que pareça óbvio é, de fato, verdade ou solução.

A trama é centrada em duas histórias conduzidas por quatro personagens. Ray Koval (Clive Owen) e Claire Stenwick (Julia Roberts) são dois ex-espiões do MI-6 e da CIA, respectivamente, que agora dedicam os seus trabalhos às grandes corporações privadas. Já Howard Tully (Tom Wilkinson) e Richard Garsik (Paul Giamatti) são os presidentes de duas mega corporações rivais – B & R e Equikron – que disputam palmo a palmo um concorrido mercado de cosméticos. A briga é tão grande que ambas as empresas contam com departamentos de espionagem e contra-espionagem – disfarçadamente chamados de departamentos de inteligência – que buscam incessantemente saber com antecedência quais as pretensões do seu concorrente.

Em segundo lugar no mercado e às vésperas da convenção dos acionistas do seu rival, Tully anuncia internamente a descoberta de um produto revolucionário e secreto, capaz de mudar a situação. Em um mundo onde quem anuncia a descoberta primeiro é o verdadeiro dono dela – ainda que a tenha plagiado – tem início uma verdadeira caçada em busca de várias respostas. Qual é esse produto? Como ele será lançado? Quem conseguirá lançá-lo primeiro?

A boa trama não é o único mérito de Duplicidade. Um dos grandes segredos do filme está em sua belíssima montagem. A história é apresentada em fragmentos, sendo revelados aos poucos detalhes de tramas passadas, que remetem a cinco anos antes dos acontecimentos do filme. E isso é feito com grande freqüência o que faz com que, a cada novo flashback, a história ganhe um novo rumo ou mais possibilidades sejam abertas. O grande prazer de Gilroy é apresentar pistas em um momento e negar a recompensa logo em seguida, trazendo novas pistas. Essas transições entre passado e presente são apresentadas com a tela divida em quatro partes (em constante movimento), numa alusão às ações de cada um dos quatro personagens que insistem em não ser o que aparentam.

Outro aspecto extremamente positivo é ótimo elenco envolvido. O veterano Tom Wilkinson dispensa comentários no papel de um homem imponente e astucioso e o talento Paul Giamatti serve de contraponto perfeito, mostrando-se um líder vaidoso e egocêntrico. Julia Roberts, por sua vez, mostra sua qualidade ao optar por atuar ao invés de ser apenas uma estrela (como fez na maior parte dos papéis de sua carreira). Mas o rosto carismático à frente de Duplicidade é o de Clive Owen. O ator, que ficou mais conhecido nesta década por papéis em filmes como Closer – Perto Demais e Rei Arthur na verdade, já é um veterano com bons trabalhos desde a década de 90. Seu estilo cai como uma luva no perfil de Ray e são dele os melhores momentos dramáticos na produção. Owen consegue ir de maneira fluída da comédia (como na cena em que conhece a funcionária de uma agência de turismo) ao drama (como onde segura a tensão de uma cena no carro, ao ter um de seus encontros revelados).

Com mais pontos positivos do que negativos, Duplicidade se perde em alguns momentos de sua própria trama, em que mais confunde do que conduz a história, arrastando o ritmo do filme próximo à sua metade. Embora previsível para alguns, o final consegue arrancar do espectador um sorriso ou uma expressão de espanto pela maneira irônica com que é mostrado. No entanto, essas obviedades não são nada que comprometam o resultado final que, fica aquém de Conduta de Risco (filme de estréia de Gilroy), mas revela uma promissora carreira no gênero policial para o diretor.

E assim como a diferença entre creme e loção é “apenas” uma questão de química, é o equilíbrio entre as partes que faz com que Duplicidade se mostre como uma opção agradável de entretenimento ao mesmo tempo em que aguça a curiosidade do espectador para pequenos detalhes que, no final das contas, fazem toda a diferença.

Nota 7

Ficha técnica

Título Original: Twilight.
Origem: Estados Unidos, 2008.
Direção: Catherine Hardwicke.
Roteiro: Melissa Rosenberg, baseado em livro de Stephenie Meyer.
Produção: Wyck Godfrey, Greg Mooradian, Mark Morgan e Karen Rosenfelt.
Fotografia: Elliot Davis.
Edição: Nancy Richardson.
Música: Carter Burwell.

Sinopse

Isabela Swan vai morar com seu pai em uma nova cidade, depois que sua mãe decide casar-se novamente. No colégio, ela fica fascinada por Edward Cullen, um garoto que esconde um segredo obscuro, conhecido apenas por sua família. Eles se apaixonam, mas Edward sabe que quanto mais avançam no relacionamento, mais ele está colocando Bella e aqueles à sua volta em perigo.

Elenco

Kristen Stewart, Robert Pattinson, Billy Burke, Ashley Greene, Nikki Reed, Jackson Rathbone, Kellan Lutz, Peter Facinelli, Cam Gigandet, Taylor Lautner, Anna Kendrick, Michael Welch, Christian Serratos, Gil Birmingham, Elizabeth Reaser, Edi Gathegi, Rachelle Lefevre, Sarah Clarke, Ned Bellamy, Gregory Tyree Boyce, Justin Chon, Matt Bushell, José Zúñiga, Solomon Trimble, Bryce Flint-Sommerville, Alexander Mendeluk, Hunter Jackson, Gavin Bristol, Sean McGrath, Catherine Grimme, Ayanna Berkshire, Katie Powers e Trish Egan.

Premiações

MTV Movie Awards de Melhor Filme, Melhor Atriz (Kristen Stewart), Melhor Ator (Robert Pattinson), Melhor Luta (Cam Gigandet e Robert Pattinson) e Melhor Beijo (Kristen Stewart e Robert Pattinson).

Indicado ao MTV Movie Awards de Melhor Canção e  Melhor Ator (Taylor Lautner).

Confira o trailer do filme Crepúsculo

Informações do Blu-ray

Estúdio: Paris Filmes
Tempo: 122
Cor: Colorido
Recomendação: 14 anos
Região do DVD: Multi-Região
Legendas: Inglês, Português
Idiomas / Sistema de som:
Inglês – Dolby Digital 5.1
Português – Dolby Digital 5.1
Formato de tela: Widescreen

Informações do DVD

Estúdio: Paris Filmes
Cor: Colorido
Recomendação: 12 anos
Região do DVD: Região 4
Legendas: Português
Idiomas / Sistema de som:
Inglês – Dolby Digital 5.1
Inglês – Dolby Digital 2.0
Formato de tela: Widescreen
Informações especiais: Cenas estendidas com introdução da diretora; Cenas Excluídas com coments. da diretora; Sinopse; Ficha Técnica; A Aventura Começa:a jornada das páginas à tela; O fenômeno da Comic-Con; Campanha Cinematográfica; Clipes: Linkin Park, Muse e Paramore.

Crítica

Sabrina, Bianca e Julia. Na década de 90 lembro de uma série de romances voltados para o público feminino que era vendida em bancas de revista, com esses títulos. Certa vez, por curiosidade, li um deles (não me recordo qual). A história era simples, idealizada ao extremo e apelando para os sentimentos mais femininos possíveis até então: a procura pelo homem ideal, o amor incondicional, a paixão desmedida e, é claro, doses de sexo com um amor de fazer inveja a Romeu e Julieta.

Olhando para trás, tenho sérias razões para acreditar que qualquer um deles, se adaptado para o cinema, renderiam filmes melhores ou mais coerentes que o fenômeno Crepúsculo, produção que arrebatou o mundo do cinema da mesma maneira com que se tornou um best-seller: de maneira inexplicável.

Histórias de amores impossíveis, no melhor estilo Shakespeariano, sempre renderam bons frutos aos cinemas. Em uma sala escura, com concentração total na tela e uma trilha sonora adequada, ficamos diante de um placo perfeito para viajar e idealizar finais felizes para as histórias mais improváveis possíveis e, em se tratando de amor, perceber que nada é impossível é algo que mexe da mesma maneira com homens e mulheres.

Mas o que dizer do amor concebido por Stephenie Meyer em sua saga Crepúsculo, alçando Isabela Swan (Krsiten Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson) como as figuras mais representativas do romance para toda uma geração de meninas adolescentes e, por que não dizer, jovens mulheres? Levantar algumas possibilidades para explicar o sucesso é, de certa forma, uma tarefa fácil. Acreditar que elas são verdadeiras, porém, é uma questão mais complicada.

Em termos cinematográficos Crepúsculo é um filme bastante irregular. Há furos na história, na aproximação dos personagens, nas revelações importantes em pontos de virada da trama, nos efeitos especiais e, até mesmo, na maneira como os personagens agem diante das circunstâncias. Assim, acompanhamos Isabela em sua mudança para a pequena cidade de Forks, com pouco mais de três mil habitantes. Lá chegando, no colégio, ela se aproxima do misterioso Edward, um jovem pelo qual às meninas suspiram, mas poucos sabem sobre ele.

O amor entre ambos surge á primeira vista. Isabela é atraída pela sua beleza. Já Edward justifica a atração pelo fato de não conseguir com ela o que consegue com todos os outros mortais à sua volta: ler os seus pensamentos. Intrigada com os mistérios do jovem que vão se revelando a todo instante, é através do Google – sim, isso mesmo – que ela junta o quebra-cabeça e descobre o que ninguém, em todos os anos na cidade, pensou descobrir: Edward é um vampiro.

A cena em que Isabela confronta Edward sobre as suas características poderia até cair bem em um teatro, mas não no cinema. Em meio à floresta ela declama o porque de achar que ele é um vampiro. Como um macho que se exibe diante de uma fêmea antes do acasalamento, Edward confirma a versão e faz um “show particular” exibindo seus poderes e insistindo para que a garota se afaste dele – ainda que sempre que ela o faça ele a procure para pedir o mesmo.

É dessa contradição bastante incoerente que surge o amor de ambos e, mais que um “homem ideal”, Edward parece fazer questão de se comportar como um super herói – ou vilão – a cada momento. Seus poderes são ressaltados por efeitos especiais bastante medianos. Nas cenas em que lê demonstra uma super velocidade para subir uma montanha, por exemplo, suas pernas nunca são mostradas e a sensação que se tem é que ele desliza sobre um fundo falso projetado.

Se até certo ponto da trama o romance apresenta uma linearidade, com os únicos pontos de conflito sendo a integração de Isabela à família de vampiros, com mais de uma hora e vinte minutos de filme nos é apresentada, de uma forma canhestra, uma partida de baseball em um campo aberto, com uma tempestade prestes a desabar. A partida não tem sentido algum na trama, servindo apenas como uma oportunidade para mostrar vampiros correndo, voando e exibindo sua força descomunal. Assim como a chuva anunciada não vem, o vilão da história surge e, sem nenhuma motivação aparente, decide iniciar uma caçada à Isabela “pelo resto de sua vida”.

Se em Crepúsculo a história parece mudar o seu rumo de um instante para o outro apenas para que um elemento possa ser exibido ou para que algo forçado aconteça levando a história adiante de uma maneira que naturalmente não ocorreria, da mesma forma os humores dos personagens parecem tão instáveis quanto o clima na cidade de Curitiba. Isabela, por exemplo, tem uma relação aparentemente sem problemas com o pai. De poucas palavras, é bem verdade, mas tirante a falta da presença dele no lar, não parece haver motivos para que ela o trate ora de maneira alegre, ora de maneira rude e grosseira.

Da mesma forma, alguns crimes cometidos na cidade durante a trama, investigados pelo pai de Isabela que é policial, começam e terminam o filme insolúveis e longe sequer de uma explicação – que possivelmente pode vir em outros filmes. Sinceramente, é muito pouco para justificar o sucesso de qualquer filme que seja, o que dirá o frenesi criado em torno da série que, nas mãos da indústria, foi alçada ao status de saga da noite para o dia.

Agindo mais como um super-homem do que como um vampiro, Crepúsculo eleva o vilão da história ao status de homem ideal. Da mesma forma, se posiciona favorável às ações de Isabela, uma jovem visivelmente instável emocionalmente, que não pensa duas vezes em virar às costas à família e até mesmo a tirar sua própria vida em prol de um romance iniciado em poucos dias. E é justamente exacerbando essa idealização e colocando o espectador sob o ponto de vista de uma mente confusa que Crepúsculo aposta suas fichas.

Ou seja: nada que, de forma alguma, justifique tanta histeria em torno de uma história. No entanto, a julgar pela arrecadação do primeiro filme e da invasão “teen” em todos os prêmios de votação popular que alçaram o inexpressivo Robert Pattinson ao patamar de símbolo sexual do momento, podemos esperar pelos próximos anos uma verdadeira overdose vampiro-romântica em todas as mídias possíveis, já que outros três filmes estão à caminho. O mal venceu? Suponho que sim, pelo menos até a próxima febre. Que ela venha com dentes de alho, crucifixos e água benta e espante os vampiros-doces para bem longe.

Nota 5